O teletrabalho e o regime híbrido vieram para ficar em muitas empresas portuguesas. Trazem flexibilidade, mas também deslocam parte do perímetro de segurança da empresa para casas, cafés e espaços de cowork onde ninguém controla a rede. Com algumas regras claras, é possível manter o nível de proteção sem complicar o trabalho das pessoas.
Equipamentos da empresa
Sempre que possível, forneça portáteis geridos pela empresa e peça que sejam usados apenas para trabalho. Devem ter o disco cifrado, para que um furto ou uma perda não exponham os dados, bloqueio automático do ecrã, antivírus atualizado e atualizações do sistema ativas.
Se, por necessidade, os colaboradores usarem equipamentos pessoais, defina regras mínimas e meios de separar o ambiente profissional do pessoal. Evite guardar ficheiros da empresa em discos locais ou pens USB, e privilegie as pastas partilhadas e o armazenamento aprovado.
Lembre também as pessoas de bloquear o computador quando saem de perto, de não o emprestar a familiares e de reportar de imediato perdas ou furtos.
A rede de casa
O router doméstico é muitas vezes o elo mais fraco. Peça aos colaboradores que alterem a palavra-passe de administração do router, que usem encriptação WPA2 ou WPA3 na rede wifi com uma palavra-passe forte, e que instalem as atualizações do equipamento quando disponíveis.
Uma boa prática é separar a rede: muitos routers permitem criar uma rede de convidados, onde ficam a televisão, a consola e outros dispositivos domésticos, deixando o portátil de trabalho na rede principal. Desta forma, um aparelho inseguro tem menos hipóteses de ser a porta de entrada.
Em locais públicos, evite redes wifi abertas para tarefas sensíveis. Em alternativa, use a partilha de dados do telemóvel ou ligue-se através de VPN.
VPN e acessos remotos
Uma VPN cria um canal cifrado entre o portátil e a rede da empresa, protegendo a comunicação mesmo em redes não fidedignas. Mas não é uma solução mágica: se o portátil estiver infetado, a VPN apenas leva o problema para dentro da empresa. Por isso, combine-a com equipamentos atualizados e autenticação multifator.
Para quem trabalha sobretudo com aplicações na cloud, vale a pena aplicar controlos de acesso por utilizador e por dispositivo, e limitar o acesso aos sistemas estritamente necessários a cada função.
Por fim, registe e reveja os acessos remotos. Saber quem entrou, de onde e a que horas ajuda a detetar comportamentos estranhos a tempo, e permite desativar rapidamente contas de quem já saiu da empresa.